Quarta-feira, 4 de Agosto de 2004

O estado do Ensino

Os resultados do 12º ano ( ou a falta deles ) surgem de novo como uma má notícia no nosso país.
E vão ser notícia durante dois ou três dias. Só não vão surgir debates nas televisões porque está tudo de férias, a ganhar fôlego para mais umas quantas conversas da treta.
E o conjunto dos responsáveis não enfrenta o problema com seriedade. Não se fazem as alterações necessárias para a inversão do processo.
E a atitude deste governo é prometedora, ao comentar que os resultados não fogem ao que é habitual. Embora sejam um pouquinho piores.
Portanto, é perfeitamente normal, como diria o Artur Jorge perante mais uma derrota.
E o problema do ensino nacional não resulta apenas de um factor.
Começando nos professores desmotivados, nos programas em constante alteração, nas reformas ao sabor de ventos partidários.
Mas passando também por pais abstencionistas, mais preocupados com as diatribes do futebol ou os episódios das incontáveis telenovelas, que acham que deve ser a escola a educar os filhos, sendo que esta acha que devem ser os pais. E ninguém os educa...

Não existe um acordo parlamentar sobre a educação, nem se vislumbra que os partidos abandonem por um momento as guerrilhas partidárias para, como se fossem um grupo de trabalho, definirem uma actuação a longo prazo, capaz de produzir um ensino de qualidade a todos os níveis.

Na prática, todos os partidos me metem nojo: por detrás das declarações de intenção e das críticas retoricamente bem fundamentadas, vêem o parlamento como uma arena, na qual é imprescindível ganhar em argumentos, ainda que estes sejam completamente disparatados.

A maioria destes senhoritos, conseguiu recuperar e prestigiar a figura de Salazar: este, era um bandido, mas pelo menos era sério e trabalhava. Coisa que estes coiros não são nem fazem. A Salazar podemos criticar a ideologia e as opções, não a falta de coerência.

Quando se fizer a história destes trinta anos de democracia, por certo irá sobressair o tempo perdido, desbaratado em discussões vãs.

E os nossos jovens vão continuar a ser ensinados por muitos professores de Português que não gostam de ler e dão erros ortográficos, por professores de Matemática que cometem erros de palmatória na matéria que ensinam, por professores de História que a consideram como uma sucessão de factos perfeitamente desligados uns dos outros, se não mesmo fruto do acaso e do imponderável.

Há professores bons? Há pois. Mas a média é rasteirita.
Era entrar numa sala de professores nos tempos do Big Brother e constatar que o tema das conversas se ficava entusiasmadamente por aí.
Para prova de nível, não é preciso mais.

Mas também, com o exemplo que vem de cima, com o nível a que chegaram os debates parlamentares, o que é que se pode esperar?
publicado por bartsky às 11:41
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De Anónimo a 5 de Agosto de 2004 às 16:49
Muito do mal do nosso ensino é estarem economistas e engenheiros a dar aulas de matematica e fisica, esse sim é o problema, os professores deviam ser das profissoes com mais especialização, por sao eles k ensinam, e se ensinam mal, os alunos aprendem mal e isto começa a tornar-se um ciclo vicioso, enquanto o governo quiser tapar o sol com a peneira continuamos assim Kardu
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(mailto:KarduFCUP@hotmail.com)


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