Segunda-feira, 11 de Outubro de 2004

O solo do tenor

Finalmente o primeiro ministro de Portugal veio fazer um discurso a solo, exercendo o seu direito ao contraditório.
Deu-me gosto vêr a fotografia do seu encontro com o Papa e outra manifestando desvelos paternais que, aliás, lhe deram renome, ambas fazendo parte natural do ambiente Kapital em que vive.
Como eu previa no texto anterior, lá veio a vitimização, tanta coisa por causa de um atentado a um preceitozito constitucional, quando o que é importante é o dinheiro que nos cai no bolso (as prostitutas dirão o mesmo).
Fica-me uma dúvida angustiante: o que é que ele vai vender para não ultrapassar os 3%.
publicado por bartsky às 21:02
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Domingo, 10 de Outubro de 2004

A Quinta e a carneirada

Michele Berti.jpg


Que me desculpem aqueles que conseguem assistir à Quinta das Celebridades sem vomitarem, mas vou ter de dar pancada.
Um destes dias passei pela Tvi e deparei-me com a tão falada Quinta. Devo confessar que não sou cliente da Tvi: aquilo tem uma programação tão mentecapta, tão debelóide que, a única coisa que se aproveitava era mesmo o Marcelo e, mesmo esse, sem fugir muito à lógica do entertainer. Durante uns bons quinze minutos fiquei para ali a olhar, até que de repente dei conta que estava de boca aberta e a perguntar a mim mesmo: que é esta merda?
Estavam a passar à minha frente um hooligan com part-time de cacique autárquico, um actor porno, por enquanto vestido, uma ex-miss a precisar de reforma, uma tipa que se despia enquanto lia notícias, também por enquanto vestida, mais uma tia da linha que não tem que fazer em casa e, last but not the least, um tipo a fazer de conta que é panasca e que devia ser ajudado pelo actor porno a esclarecer a coisa.
Se o Big Brother era o estilo bué ao seu melhor nível, a Quinta é o estilo foleiro ao seu pior nível.
Mas se me espantei com o voyeurismo colectivo do BB, espanto-me mais ainda com a Quinta. Ou melhor, não é a Quinta que me espanta, é o facto de haver quem consiga ver aquilo, achar engraçado, tomá-lo como assunto de conversa. E não estou a falar de conversa de sopeiras (veja-se a complacência de Clara Ferreira Alves no Expresso de ontem). Apurem bem a audição e vejam as habilitações das pessoas que "debatem" as figuras da Quinta.
Dos quinze minutos de espectador embasbacado, ficou-me a ideia de um tipo, disfarçado de panasca, espertalhão a fazer-se de parvo e de uns parvos a fazerem-se de espertos. O BB pegava em gente anónima, símbolo vivo da nossa mais profunda incultura e levava-os até ás estrelas, deixando-os depois cair para se atirarem das pontes. A Quinta pega em medíocres que, a serem celebridades, atestam o carácter rasteiro de quem os celebriza, pondo a nu o vazio da lusa society. Mas creio que não é esta a intenção da Tvi.
Só tenho uma recomendação: quando virem a Quinta das Celebridades, puxem o autoclismo, duas vezes.
E quando, amanhã, Santana Lopes aparecer na televisão a fazer o discurso da vítima da má língua nacional e a prometer aumentos de salários e diminuição do Irs, a turba, com o sentido crítico apurado pela visualição do BB e da Quinta, vai debruçar-se sobre as suas palavras pelo tempo que demora esse desporto nacional que dá pelo nome de arroto. Temos a televisão que merecemos e os governos que nos calham em má sorte.

publicado por bartsky às 18:46
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Sábado, 9 de Outubro de 2004

País amador

Rosan Kador.jpg
Foto de Rosan Kador
Somos um país do faz de conta.
Os jogadores fazem de conta que jogam, o governo faz de conta que governa e a oposição faz de conta que se opõe, disfarçando mal a ansiedade da sua hora de ser empossado na nacional missão de fazer de conta.
O próprio Presidente da República faz de conta que está zangado e que vai não vai toma medidas.
O primeiro ministro faz de conta que está ofendido com as acusações de censura.
Os patrões, mal pagando o suficiente para o pessoal não morrer de inanição, fazem de conta que remuneram o trabalho.
Todos nós fazemos de conta que somos um país, mal disfarçados de província autónoma de Espanha, a quem falta a presença pensante castelhana.
Estamos presos numa teia da qual não se vislumbra o ponto de saída.
publicado por bartsky às 20:54
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

Nada a acrescentar

Este texto é parte do hoje publicado no Público por Miguel Sousa Tavares. Assombroso!
"Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre. Pagamos, e temos pago, bem caro o preço inverso: o preço de não sermos e nunca havermos sido uma nação de cidadãos amantes da liberdade - não a de cada um, individualmente, mas a de todos.
O preço de termos empresários que vivem do favor do Estado, sindicatos que vivem do abrigo partidário, intelectuais que vivem das migalhas do orçamento da cultura. O preço de sermos dependentes, tementes e subservientes. As nações de homens livres prosperam; as nações de gente subserviente definham: cada vez estamos mais próximos do México ou da Madeira e cada vez mais distantes da Espanha ou da Inglaterra. Temos, exacta e friamente, aquilo que merecemos.
Por ora, não vou perder-me nos sórdidos detalhes desta semana portuguesa, em que de repente foi como se toda a podridão escondida tivesse vindo à superfície. Vi vermes rastejando em directo televisivo, vi o medo, a subserviência, o preço, estampado na cara de gente porventura boa, ouvi razões e argumentos de estarrecer, conheci factos e circunstâncias que nem nos meus mais negros momentos de descrença julguei serem possíveis nesta desilusão a que chamamos Portugal. Por ora, contenho-me, porque o nojo e a revolta são ainda tão presentes que ofuscam a lucidez e a serenidade que certas coisas exigem absolutamente..
Mas quem me lê sabe que apenas preciso de tempo e de recuo - como quem recua perante um quadro para melhor o ver.
Aliás, impõe-se a distância necessária para tentar entender que país é este, que cidadãos são estes e o que verdadeiramente os preocupa: a vaca a ser mungida na Quinta das Celebridades ou o Governo a ser mungido na Quinta dos Influentes?"

publicado por bartsky às 20:01
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A lógica da coisa...

Votem nas putas.jpg 
É um veículo brasileiro. Falta muito para começar a surgir nos nossos tão eloquente frase?

publicado por bartsky às 18:42
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

Justiça a Cavaco

Chapelada a Cavaco Silva pelas declarações à Rádio Renascença. Ele que aguentou firme o ataque semanal do Independente de Paulo Portas, alinha  pela defesa da liberdade de informação e de expressão.
Ao que nós chegamos!

publicado por bartsky às 19:16
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O fulcro da questão

Parece-me que este problema da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da Tvi, está a ser mal abordado. Discute-se muito se houve ou não pressões, drectas ou indirectas sobre a Tvi.
O problema deve colocar-se num plano anterior, isto é, este governo, qualquer governo em democracia, não deve sequer pronunciar-se acerca de conteúdos informativos.
Se as afirmações de Marcelo eram, como se alegou, falsas, então, havia que desmenti-las. E o governo, como se viu neste caso, não se pode queixar de falta de tempo de antena para o fazer. A atitude do governo demonstra que não sabe conviver com as regras de funcionamento de uma democracia, que não suporta a crítica.
Sejam quais forem os processos de bastidores que tenha ou não utilizado, certo é que já conseguiu silenciar um crítico de peso. E agora, como ficamos? Cada vez que se pede um comentário a uma figura pública, pede-se-lhe moderação? Que não tenha opinião sobre as decisões do governo?
Vamos ter uma informação desinfectada, inócua?
publicado por bartsky às 13:16
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2004

Marcelo bem mandado

Marcelo Rebelo de Sousa sai da Tvi, onde comentava semanalmente há quatro anos.
Quem é que manda no país? O governo ou meios de comunicação social? O respeitinho é muito lindo...
A seguir, vai fechar o Abrupto do Pacheco Pereira, e até eu já ando com medo que me fechem a tasca aqui no Sapo.
O único que pode dizer o que lhe dá na gana é o imperador da Madeira, de preferência depois das refeições, que sempre tem mais piada.

Visado pelo censor Gomes da Silva: proíba-se a publicação.
publicado por bartsky às 19:17
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Poupemos

Mais de mil nomeações no actual Executivo. Média de 13 pessoas por dia, em pouco mais de dois meses de governo. O Governo liderado por Santana Lopes fez 1034 nomeações, em pouco mais de dois meses e meio, das quais 946 só para os gabinetes ministeriais, avança, hoje, a edição do Jornal de Negócios. Contas feitas a partir dos nomes publicados no Diário da República.
Só o ministro Paulo Portas tem sete motoristas: é um para cada dia da semana.
Poupemos para os sustentar.
Porque é que eles não poupam? Será porque o dinheiro não é deles?

Visado pelo censor Gomes da Silva: proíba-se a publicação.

publicado por bartsky às 11:35
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Inverno escaldante

Kurt LaRue.jpg
Foto de Kurt LaRue

Palpita-me que a acumulação dos factores aumento dos preços do petróleo e incapacidade governativa, vai fazer saltar a tampa da política nacional. O discurso de ontem do Presidente da República, tem já a ameaça velada de quem está à espera da gota de água.
A continuar a encarar-se a resolução dos problemas como o faz o ministro da obras públicas, vamos dar com os burros na água. Pois não é evidente que primeiro se lançam as medidas e só depois se avaliam as consequências? Se as portagens na Via do Infante vão ser suspensas para se avaliar o impacto económico que a sua introdução pode ter na região, pergunta-se se o impacto nas outras regiões foi estudado ou, em alternativa, se é desprezível, se tanto se faz.
Resolve-se um problema de cada vez, sem se cuidar das consequências. Quanto a estas, logo se vê.
Governo fraquito, este.
Visado pelo censor Gomes da Silva: proíba-se a publicação. 

publicado por bartsky às 07:22
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