Sexta-feira, 22 de Outubro de 2004

Más línguas

O túnel do Rossio foi hoje fechado e já andam para aí uns más línguas a dizer que já devia ter sido arranjado, que parece impossível, etc. etc.
Ora leiam este excerto que a gente já conversa:
"A zona que está em risco, com uma fissura de 40 metros, já é conhecida desde 1927. O engenheiro Segadães Tavares, que estudou o túnel entre 1977 e 2000, diz que há duas fissuras que são conhecidas desde que a obra foi feita, há mais de cem anos, e que chegaram mesmo a provocar o abatimento da entrada do túnel na altura.Nos estudos para um ante-projecto, foram detectados os problemas e feitas sugestões de solução para os mesmos. As obras já podiam ter sido feitas, mas houve três ordens de razão que levaram ao seu adiamento."A primeira razão é que a obra era pouco visível. A segunda é que seria forçosamente cara e o país não é rico em recursos. Em terceiro lugar, havia também o risco político de afectar milhares de utentes diariamente e que tinham de ser desviados para outras alternativas, que aliás já existem", refere o engenheiro.
Como se vê, não há razão nenhuma para críticas. Devo mesmo salientar o seguinte.
1º De 1927 até hoje só passaram 77 anos, lapso de tempo que não é um exagero para lidar com uma "racha" de 40 metros. Toda a gente sabe que uma racha exige sempre as suas delongas que, pelos vistos, são proporcionais ao seu tamanho. Quem nunca esteve horas de volta de uma racha, que atire a primeira pedra.
2º Diz-se que a obra é pouco visível. Fiquei a saber que os túneis são todos escuros. Proponho, por isso, que instalem na parte exterior mais visível, um ecrã gigante, igual ao do Parque das Nações, para que a populaça se deleite com a grandiosidade da coisa, com imagens de Santana Lopes a concluir a intervenção na racha.
3º Quanto aos escassos recursos do país, seus más línguas, os países têm prioridades e, havendo estádios para construir, queriam que a gente se desse ao luxo de gastar dinheiro para impedir que o túnel caisse em cima dos pelintras que andam no comboio? Haja bom senso.
4º É óbvio, para qualquer pessoa medianamente inteligente, que não estavam reunidas as condições políticas para se poderem afectar milhares de utentes dos comboios. Agora sim, como o pessoal já está habituado a ser diariamente afectado pelo nosso mui criativo governo, há que aproveitar a maré e, mais perturbação menos perturbação, o pessoal já entrou no ritmo da coisa.
Assim sendo, vamos lá parar com o ruído, que o governo está numa de imaginação criadora e precisa de tranquilidade.
publicado por bartsky às 17:18
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2004

Incoerências magníficas

O magnífico reitor da Universidade de Coimbra mudou de opinião... Para pior?
Não muito longe vão os tempos em que dizia: "politicamente errado e economicamente irrelevante o aumento das propinas (...) e que este aumento não vai significar mais receitas para as Universidades, mas sim menos orçamento transferido por parte do estado".
publicado por bartsky às 08:31
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Anacronismos

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A propósito dos acontecimentos dos últimos dias e das incoerências do magnífico reitor da Universidade de Coimbra, este texto inserido no Almocreve das Petas (link aqui ao lado).
"Em torno dela (geração), negra e dura como uma muralha, pesando, dano sobre as almas, estava a Universidade. Por toda essa Coimbra, de tão lavados e doces ares (...) se erguia ela, com as suas formas diferentes de comprimir, escurecer as almas: o seu autoritarismo, anulando toda a liberdade e resistência moral; o seu favoritismo, deprimido, acostumando o homem a temer, a disfarçar, a vergar a espinha; o seu literatismo, representado na horrenda sebenta, na exigência do «ipsis verbis», para quem toda a criação intelectual é daninha; o seu foro, tão anacrónico como as velhas alabardas dos verdeais que o mantinham; a sua negra torre, donde partiam, ressucitando o «precetto» da Roma jesuíta do século XVIII (...) os seus lentes crassos e crúzios, os seus ... e os seus ..., o praxismo poeirento dos seus Pais Novos e a rija penedia dos seus Penedos! A Universidade, que em todas as nações é para o estudante uma «Alma Mater», a mãe criadora (...) era para nós uma madrasta amarga, carrancuda e rabugenta de quem todo o espírito digno se desejava libertar, rapidamente, desde que lhe tivesse arrancado pela astúcia, pela engenhoca, pela sujeição à «sebenta», esse grau que o Estado, seu cúmplice, tornava a chave das carreiras " [Eça de Queiroz]
"Eu não avalio, na origem, o vosso acto de revolta. Falta-me a competência (...) a nossa triste Universidade, embora com homens de valor, julgada em globo, na sua organização, na sua estrutura e nas suas tendências, só realmente queimando-a, nos daria luz. Não a queimem, nem a destoquem, reformem-na? [Guerra Junqueiro, in Carta à Assembleia de Estudantes da Academia da U.C., nos acontecimentos académicos de 1907]
publicado por bartsky às 08:23
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2004

Mais Quinta...

Se pensam que eu fui violento com a Quinta das Celebridades, então leiam o Pacheco Pereira no seu blog menos mediatico: Veritas filia temporis.
publicado por bartsky às 08:00
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2004

Sem comentários

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publicado por bartsky às 21:21
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2004

Tomem lá

Dedico este texto ao Dr. Alberto João Jardim, Dr. Santana Lopes, Dr. Paulo Portas, Dr. Jorge Sampaio, dirigentes de futebol malcriados, em particular e, em geral, a todos os que têm alguma interferência na condução dos destinos deste país.
Guerra Junqueiro (1850-1923)
" Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, - reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e estes, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre, - como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, a-pesar-disso, pela razão que alguém deu no parlamento, - de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)
Guerra Junqueiro, in "Pátria"
publicado por bartsky às 16:39
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Degradação futebolística

Não gosto de falar de futebol. Acho que se discute demasiado uma coisa que serve para ser apenas jogada.Abro, no entanto, esta excepção.
Dispam-se de vestes clubistas e qualifiquem as declarações dos dirigentes benfiquistas acerca da mulher ou companheira, seja lá o que fôr, do dirigente do F.C. do Porto.
Eu não sou capaz de as qualificar mas, como não conhecia os ditos senhores, fiquei a conhecer o seu carácter e educação.Sejam quais forem as razões que possam assistir ao Benfica, aquele tipo de afirmações é inadmissível entre gente civilizada.
Da próxima vez que um clube se sentir injustiçado, vamos assistir a declarações acerca do odôr dos pés do dirigente adversário ou das suas preferências religiosas, coisas que, como se sabe, têm forte interferência no decurso de um jogo de futebol.
Por favôr: é apenas um jogo de futebol. Não resulta dele a descida dos combustíveis ou do pão, nem auxilia na resolução da miséria e desemprego no nosso país. Demos-lhe a dimensão que tem, não mais do que isso, ao ponto de fazer descer o nível ao patamar da linguagem do pedreiro no andaime, sempre que vê passar uma fêmea entre os doze e os oitenta anos.
Tenham juízo.
publicado por bartsky às 15:48
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Tristes espectáculos

Triste espectáculo 1
Na Madeira, ganhou de novo o figurão gordo. Depois de ter prometido, durante a campanha, que ia expropriar o Diário de Notícias, ontem ameaçou os jornalistas, a quem normalmente insulta, que "o porreirismo acabou"... Convive mal com a crítica.
Fez-me lembrar uma conversa com um taxista do Recife que elogiava o Perfeito lá do sítio. Quando lhe perguntei se o Perfeito não era corrupto, ele respondeu: é, mas faz!
Triste escolha...
Triste espectáculo 2
O folhetim de mau gosto que rodeou o jogo Benfica Porto, com a história dos bilhetes, a mulher de Pinto da Costa - proíbida de entrar nos camarotes - a exibir no meio da claque portista um cartaz que dizia "orelhas estou aqui", a triste figura dos dirigentes desportivos na tourada em que se tornou a conferência de imprensa, mostram à evidência que somos um povo com vários problemas mal resolvidos.
Alguém se lembra, quando Portugal eliminou a Holanda no Euro, dos holandeses a aplaudirem de pé a selecção portuguesa? Esses sim, gostam de futebol e reduzem-no à sua verdadeira dimensão.
Já agora, alguém explica à polícia de choque que não se consegue parar instantaneamente uma massa de duas mil pessoas, comprimidas em seis metros emparedados, e que as bastonadas nos que tentam parar os restantes da claque não produzem resultados? Para quem acha que isto é um comportamento correcto por parte da polícia, recomendo que passem regularmente pela inglesa Sky News, para verificarem a diferença de comportamento dos polícias ingleses, mesmo perante claques como as inglesas.
publicado por bartsky às 08:49
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Domingo, 17 de Outubro de 2004

Orçamento 4

Imaginem que circulam nuna rua estreitinha, daquelas onde é preciso ter cuidado com os espelhos, a 150 Kms/hora. Conduzem e vão rezando para que ninguém abra a porta, que nenhum peão tenha a infeliz ideia de atravessar. Ao mínimo imprevisto: acidente certo.
Este orçamento também é assim: aposta na graça divina para que a economia cresça, o petróleo não suba, os delinquentes fiscais tenham um ataque de seriedade.
Caso a providência divina, como de costume, se distraia, vendemos mais umas coisitas para compor o defice.
A serenidade com que Bagão disse que o Estado tem uns terrenos que só dão despesa (deve ser em hebicida).
Moral da história: quando tivermos vendido a mobília toda, o último a sair apaga a luz e fecha a porta.
publicado por bartsky às 07:07
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A sesta do Santana

Notícia para encher papel, esta em torno de uma sesta que o Expresso diz ter havido entre o debate na AR e o Moda Lisboa.
A chefe de gabinete dele, jura a pés juntos que não senhor, que esteve sempre com ele, acordados ambos.
Mas tormou-se notícia quando termina a carta ao Expresso dizendo: "Por isso me interrogo se, como eu, muitos dos leitores de sempre do Expresso não se questionarão se algo de estranho não se estará a passar com o seu jornal".
O jornalista do Expresso que se cuide porque, não tarda nada, está de braço dado com o Prof. Marcelo.
Não seria melhor os jornais passarem a mandar um rascunho aos assessores de Santana antes da publicação? É que, pelos vistos, andam a passar-se coisas estranhas nos meios de comunicação social...
Mas é crime dormir uma sesta?

publicado por bartsky às 06:47
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