Sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

Nada a acrescentar

Este texto é parte do hoje publicado no Público por Miguel Sousa Tavares. Assombroso!
"Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre. Pagamos, e temos pago, bem caro o preço inverso: o preço de não sermos e nunca havermos sido uma nação de cidadãos amantes da liberdade - não a de cada um, individualmente, mas a de todos.
O preço de termos empresários que vivem do favor do Estado, sindicatos que vivem do abrigo partidário, intelectuais que vivem das migalhas do orçamento da cultura. O preço de sermos dependentes, tementes e subservientes. As nações de homens livres prosperam; as nações de gente subserviente definham: cada vez estamos mais próximos do México ou da Madeira e cada vez mais distantes da Espanha ou da Inglaterra. Temos, exacta e friamente, aquilo que merecemos.
Por ora, não vou perder-me nos sórdidos detalhes desta semana portuguesa, em que de repente foi como se toda a podridão escondida tivesse vindo à superfície. Vi vermes rastejando em directo televisivo, vi o medo, a subserviência, o preço, estampado na cara de gente porventura boa, ouvi razões e argumentos de estarrecer, conheci factos e circunstâncias que nem nos meus mais negros momentos de descrença julguei serem possíveis nesta desilusão a que chamamos Portugal. Por ora, contenho-me, porque o nojo e a revolta são ainda tão presentes que ofuscam a lucidez e a serenidade que certas coisas exigem absolutamente..
Mas quem me lê sabe que apenas preciso de tempo e de recuo - como quem recua perante um quadro para melhor o ver.
Aliás, impõe-se a distância necessária para tentar entender que país é este, que cidadãos são estes e o que verdadeiramente os preocupa: a vaca a ser mungida na Quinta das Celebridades ou o Governo a ser mungido na Quinta dos Influentes?"

publicado por bartsky às 20:01
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De Anónimo a 9 de Outubro de 2004 às 18:49
Para mim, esta história está ainda por ser BEM contada. Claro que devem ter existido algumas pressões, nada a que não estejamos já todos habituados. Ontem, no Independente, Inês Serra Lopes deixou uma frase sibilina (como se diz muito agora...) "Um homem que tem um cabide de roupeiro, dentro do carro, para pendurar o casaco, é capaz de tudo." E referia-se ao Prof Marcelo...ahahhahahah brilhante...lookinglass
</a>
(mailto:lookinglas@sapo.pt)


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