Domingo, 10 de Outubro de 2004

A Quinta e a carneirada

Michele Berti.jpg


Que me desculpem aqueles que conseguem assistir à Quinta das Celebridades sem vomitarem, mas vou ter de dar pancada.
Um destes dias passei pela Tvi e deparei-me com a tão falada Quinta. Devo confessar que não sou cliente da Tvi: aquilo tem uma programação tão mentecapta, tão debelóide que, a única coisa que se aproveitava era mesmo o Marcelo e, mesmo esse, sem fugir muito à lógica do entertainer. Durante uns bons quinze minutos fiquei para ali a olhar, até que de repente dei conta que estava de boca aberta e a perguntar a mim mesmo: que é esta merda?
Estavam a passar à minha frente um hooligan com part-time de cacique autárquico, um actor porno, por enquanto vestido, uma ex-miss a precisar de reforma, uma tipa que se despia enquanto lia notícias, também por enquanto vestida, mais uma tia da linha que não tem que fazer em casa e, last but not the least, um tipo a fazer de conta que é panasca e que devia ser ajudado pelo actor porno a esclarecer a coisa.
Se o Big Brother era o estilo bué ao seu melhor nível, a Quinta é o estilo foleiro ao seu pior nível.
Mas se me espantei com o voyeurismo colectivo do BB, espanto-me mais ainda com a Quinta. Ou melhor, não é a Quinta que me espanta, é o facto de haver quem consiga ver aquilo, achar engraçado, tomá-lo como assunto de conversa. E não estou a falar de conversa de sopeiras (veja-se a complacência de Clara Ferreira Alves no Expresso de ontem). Apurem bem a audição e vejam as habilitações das pessoas que "debatem" as figuras da Quinta.
Dos quinze minutos de espectador embasbacado, ficou-me a ideia de um tipo, disfarçado de panasca, espertalhão a fazer-se de parvo e de uns parvos a fazerem-se de espertos. O BB pegava em gente anónima, símbolo vivo da nossa mais profunda incultura e levava-os até ás estrelas, deixando-os depois cair para se atirarem das pontes. A Quinta pega em medíocres que, a serem celebridades, atestam o carácter rasteiro de quem os celebriza, pondo a nu o vazio da lusa society. Mas creio que não é esta a intenção da Tvi.
Só tenho uma recomendação: quando virem a Quinta das Celebridades, puxem o autoclismo, duas vezes.
E quando, amanhã, Santana Lopes aparecer na televisão a fazer o discurso da vítima da má língua nacional e a prometer aumentos de salários e diminuição do Irs, a turba, com o sentido crítico apurado pela visualição do BB e da Quinta, vai debruçar-se sobre as suas palavras pelo tempo que demora esse desporto nacional que dá pelo nome de arroto. Temos a televisão que merecemos e os governos que nos calham em má sorte.

publicado por bartsky às 18:46
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De Anónimo a 14 de Outubro de 2004 às 23:59
Relativamente ao comentário de "de mola no nariz", é caso para dizer que nem eu diria melhor!!!bartsky
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(mailto:bartsky@sapo.pt)


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